“ O acesso de seus cidadãos à cultura é sinal de progresso de um país. ”

Lançamento do CD "Cantigas de Violeiro" com Chico Lobo

Confira as fotos do show de lançamento do CD: "Cantigas de Violeiro"

 

Informações sobre o CD lançado:

O trabalho abre com a faixa Brasil Violeiro (parceria com Tadeu Martins, do CD Viva a Viola - Viva a Cantoria), uma ode ao Brasil que revela os caminhos traçados por Chico Lobo e as cordas de sua viola caipira. Ele canta o Brasil com sua geografia, cultura, folguedos, tradições e a força da miscigenação do seu povo. Quatro canções: Beira de Mato, Morena, Couro de Boi e Criação - fazem parte de seu disco de estreia, No Braço Dessa Viola (1995). Beira de Mato mostra a beleza das manifestações interioranas como catira, guaiano, fandango, danças de palmeado e sapateado. Morena é um batuque de beira de rio e expressa o cotidiano do ribeirinho que, para encontrar seu amor, enfrenta o rio com sua canoa. Couro de Boi fala das festas de boi espalhadas pelo Brasil. Com participação especial de seu pai, o seresteiro Aldo Lobo, Criação mergulha no místico universo que cerca a viola, no qual, a partir do amor do violeiro com a lua, nascem os bichos, as matas, os seres. Essa moda de viola foi revisitada por Maria Bethânia e integra o repertório do espetáculo Festejar e Agradecer que celebra os 50 anos de carreira da cantora.

De autoria de Fábio Sombra, parceiro de Chico no livro Conversa de Violeiro, Ciranda de Roda (do CD Manheceu - Fábio Sombra nas Violas de Chico Lobo) é uma divertida cantiga que convida o ouvinte a brincar de roda. Cálix Bento (de domínio público, recolhida por Tavinho Moura, do CD Paixão e Fé na Canção Brasileira) é uma bela versão para o principal canto da tradição das folias de reis. Também na esteira da folia vem Louvação (gravada no CD homônimo do poeta Paulinho de Andrade) que retrata a fé do homem interiorano brasileiro diante das dificuldades do cotidiano. Destaque para o acordeom de Célio Balona. Palmeira Seca e Alma Caipira (parcerias com o escritor Jorge Fernando dos Santos, de CD Chico Lobo e Convidados) fizeram parte da trilha da minissérie Palmeira Seca, inspirada no premiado romance do autor, nas quais observamos clara influência do universo de Guimarães Rosa.

Da relação de Chico Lobo com Portugal, em shows e pesquisas, nasceram as cantigas Juriti Madrugadeira e Moda Caipira (do CD Encontro de Violas, gravado em terras lusitanas). Executadas somente na viola caipira, que tem origem na viola de arame portuguesa, elas buscam a familiaridade com esses instrumentos ancestrais. A faixa Boi Carreador (gravada ao vivo em Viola Popular Brasileira) traz participação de Xangai - cantador do sertão baiano que tem forte ligação com a música dos sertões mineiros. A música Tropa (CD Reinado, 2000), uma homenagem de Chico ao ícone da música de raiz Pena Branca (1939-2010), deu origem a uma parceria de 10 anos entre os artistas com o show Encontro de Raízes, que fizeram por todo o Brasil.

O álbum Cantigas de Violeiro traz ainda duas faixas inéditas que mergulham nas crenças e nos “causos” que envolvem o universo da viola, abordados no livro Conversa de Violeiro, de Chico Lobo e Fábio Sombra. A primeira, Breu, com participação especial de Tavinho Moura, fala da dramática história do pactário, aquele que, para conseguir o dom de tocar a viola, faz um o pacto com o capeta. A segunda, Simpatia da Cobra Coral, tem Rolando Boldrin como convidado recitando uma “simpatia” muito usada no interior para o violeiro adquirir destreza, agilidade no toque da viola (fato já presenciado por Chico Lobo em suas andanças nas Minas Gerais).